Cruzar os dedos. Quando se formula um desejo, conta-se uma mentira ou frente a algum perigo, é costume cruzar os dedos. O gesto, que evoca uma cruz, conjura a má sorte e afasta as influências maléficas, segundo os supersticiosos. Desde os primeiros tempos do cristianismo cria-se que, colocar o polegar sob os outros dedos ou fazer figa, afastava aos fantasmas e maus espíritos. Não obstante, alguns autores pensam que, ainda que o simbolismo da santa cruz neste gesto resulta óbvio, a origem primeira é bem mais primitiva do que a cristã e remonta aos mais antigos tempos pagões Pôr a mão diante da boca ao bocejar. O gesto atual de tampar a boca quando bocejamos não obedece singelamente à intenção de educação de não mostrar o "bocão", esconder a arcada dentária ou ainda o desejo de não espalhar os germes, senão que tem um significado mais profundo. No livro Superstitions, de Sperenza Wilde lê-se que fazer o sinal da cruz diante da boca ao bocejar impedia que o diabo se introduzisse no corpo e estabelecesse nele sua morada. É por esta razão pelo que as mães fechavam a boca do bebê ou faziam o sinal da cruz diante dela quando o viam bocejar. Deste costume ancestral deriva o gesto atual de tampar a boca Levantar-se com o pé direito. A tradição diz que, para que o dia seja bom, há que apoiar em primeiro lugar o pé direito. A resposta a este costume poderia estar entre os pescadores. Durante o século XIX, nenhum pescador em são juízo subia a bordo por bombordo, isto é, o lado esquerdo do barco, ainda que fosse incômodo fazê-lo por estibordo. Ao que parece esta crendice nasce da noção de que qualquer coisa canhota era anti-natural, uma idéia fundamentada em que a maioria dos seres humanos são destros. Por regra geral, tudo o que se refere à direita é qualificado de favorável pelos supersticiosos, talvez alentados pela tradição bíblica, que diz que a direita corresponde ao caminho do Paraíso e é a posição em que estão sentados os eleitos por Deus. Já a esquerda representa o reverso da moeda. Os romanos, por exemplo, faziam presságios observando o vôo dos pássaros: os que voavam para a esquerda eram considerados de mau agouro. De fato, em latim, esquerda se diz sinester, que deu origem ao adjetivo sinistro. Bater na madeira. Durante muitos século antes do cristianismo, os Celtas rendiam culto às árvores por considerá-las os templo da santidade e a principal apresentação dos deuses na Terra. A árvore servia com meio para enviar a doença, ou o mal à terra. Também se recorria a ela se a má sorte visitava um homem sob a forma de demônios. Nestes e outros casos o sacerdote druída celebrava uma série de ritos e cultos nas chamadas ramadas sagradas, locais equivalentes às igrejas atuais. Existe ainda quem diz que as crendices referentes à madeira também advêm do material que foi feita a cruz de Jesus. O resultado destas crenças é o nosso costume de bater na madeira como sinal de boa sorte. Passar por baixo de uma escada. Esta e outras crendices associadas às escadas estão relacionadas com o medo ao cadafalso, aquele local onde se aplicava a forca aos condenados. Antigamente, devido à grande altura que este costumava ter, era necessária uma escada para colocar a corda do enforcamento na posição correta, bem como para retirar depois o cadáver do condenado. Qualquer um que passasse por baixo da escada corria o perigo de dar de frente com o morto. Daí vem a crendice. Sexta-feira 13. Desde tempos remotos, o número 13 foi fatídico, devido principalmente à morte violenta que sofreram vários deuses décimo terceiros da Antigüidade e, como não, à sorte do décimo terceiro convidado no Última Ceia. Por outro lado, a sexta-feira adquiriu no mundo sua reputação de dia nefasto, devido à morte de Jesus. Obviamente, a coincidência do número 13 e da sexta-feira não podia ser de pior agouro O gato preto. No mundo do misticismo, os gatos são portadores de um poder mágico infinitamente superior ao do homem. Com toda probabilidade, esta antiga crença deriva da adoração à deusa egípcia Bubastis, que tinha forma de gato. Os egípcios estavam convencidos de que os gatos possuíam alma, e prova disso são os restos mumificados destes felinos achados nas escavações arqueológicas. Na Idade Média, as bruxas converteram o gato preto num elemento imprescindível para efetuar seus rituais e feitiços. Hoje em dia, os supersticiosos temem ao bichano preto que se cruza em seu caminho. Este fato representa com clareza o conflito que existia entre a Igreja, a cruz e as práticas pagãs da bruxaria
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